domingo, 21 de abril de 2013

..:: Chegadas & Partidas ::..

"(...) E assim, chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida (...)"
('Chegadas & Partidas, Fernando Brandt e Milton Nascimento)


Chegadas e partidas. Assim tem sido este blogue, um eterno ir-e-vir deste autor. Se parece desleixo aos olhos rápidos de alguns deletadores, pode ser, também, simplesmente o exato reflexo da vida do próprio autor, se olhado o fenômeno com certa cautela por seus leitores.

Entre silêncios improdutivos e tecladas silenciosas, este espaço já dura quatro anos. Em 2009, quando ele foi inaugurado com uma postagem agora repousada na caixa de rascunhos do Blogger, este autor era outro - nem mesmo "autor" ele tinha a ousadia de se intitular. E, quatro anos depois, ainda não se sente completamente à vontade com esta alcunha.

O "Príncipe Ogro" nasceu das entranhas deste Jc, numa tentativa não muito clara de ser claro com seus próprios sentimentos. Já os escritos e rabiscos do Jc Menezes nasceram antes, quando ele assinava um simples "Júlio César" e, depois, um enigmático "JCCSPM", assim mesmo, numa indecifrável sopa de letras em maiúscula. As primeiras frases vieram em dedicação à Cláudia, minha eterna professora de Língua Portuguesa - os antigos já conhecem esta história e os eventuais novatos que chegarem até aqui tropeçarão nela algumas vezes. Depois da Clúadia, vieram outros amores que, não-correspondidos, ganharam mais textos deste escriba, seja em forma de contos, esboços de romances, crônicas ou simples relatos cotidianos anotados em diários.

Trazer a público, mesmo que pequeno, tudo o que estava guardado (e, por vezes, escondido de mim mesmo) foi um desafio. De início, uma troca de e-mails com poucos amigos, numa espécie de consultório sentimental. De repente, sem que eu percebesse, outros, não tão amigos assim, estavam a par do que se passava com este Jc. E, no final das contas, depois até de um e-mail da Martha Medeiros (sim, ela mesmo, a autora de best-sellers como "Divã" e "Doidas e Santas", entre outros), o blogue nasceu.

Sendo a imagem refletida de seu autor, o “Príncipe Ogro” acabou passeando por esferas além daquelas que dividia por e-mail com meus leitores e deletadores. Não foram poucas as referências aos meus escritores prediletos, em forma de simples compartilhamento de frases e trechos sabiamente escritos por eles. Músicas inspiradoras também foram postadas. E, entre textos desinteressantes sobre futebol, havia algumas crônicas de autoria deste Jc, versando sobre política, sonhos, amor, desamor, poesia, Ana. É, havia também muita Ana.

Mas vieram os silêncios. As pausas. Os hiatos. Cada qual com sua explicação, com sua justificativa. Mas nenhuma delas tirava, de fato, o pó de cima das letras que compunham o blogue. Pior, nenhuma delas evitou que viessem mais hiatos, mais pausas, mais silêncios.

Os textos escassearam. Alguns poucos leitores se queixaram. Os deletadores, ainda que não tenham se pronunciado, festejaram, com certeza. Alguns retornos foram anunciados para logo depois serem também esquecidos. Com a longevidade do último silêncio, os leitores deixaram o blogue. Os deletadores já nem se lembravam mais dele, sem dúvida.

O blogue estava fadado, pois, ao esquecimento, mesmo que o Jc Menezes aqui tenha mantido, de alguma forma, vivo o gosto pela escrita – sim, apesar da ausência, a produção literária manteve-se ativa. Algumas crônicas surgiram deste silêncio. Alguns contos foram produzidos nesta pausa. Alguns textos, que não cabem na definição de um gênero literário existente, nasceram deste hiato.

E, então, eis que retorno. À francesa, silenciosamente, da mesma forma que fui. Sem alarde. Sem promessas. Sem planos. Volto, porque este é o lugar do Príncipe Ogro. Volto, porque esta é a casa do Jc Menezes. É aqui, neste blogue, que vejo refletida a minha imagem – mais nítida do que quando me olho no espelho, porque aqui, posso me ver por dentro e por fora, com todos os defeitos, qualidades, cismas. E silêncios.

Porque não há vida sem silêncio.

Literariamente,
Jc Menezes.

3 comentários:

Menina Fênix disse...

Saudade do meu Amigo Ogro
Beijos

Sempre Fênix disse...

E de tempos em tempos cá estou ... para que saibas que sua escrita me faz falta !
Beijos a ti e a tua Princesa

Sempre Fênix disse...

Gostaria de ler-te por aqui !!
Sinto falta de suas letras
Beijos

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