terça-feira, 18 de outubro de 2016

..:: Sobre retornos & recomeços ::..

Foram 13 meses de silêncio. Treze meses vivendo um luto que, vira-e-mexe, ainda bate por aqui, quando lembro de tudo que se foi no furto do meu notebook em agosto do ano passado. Treze meses em que a desilusão se sobrepôs a uma forçada vocação que acredito que tenho. Treze meses.

Talvez a doce Fênix, uma das únicas remanescentes daqueles intitulados como “Leitores & Deletadores”, brade que o silêncio literário deste Ogro data de abril de 2013, de acordo com a última postagem deste blogue. Mas aí, a minha príncipa ogra poderia sair em minha defesa: se o blogue havia sido abandonado em algum momento, havia, no notebook furtado, toda a vida que eu escondia por essas bandas... Sei lá o barato que me deu, mas, em algum momento ali de 2013, eu cismei de enveredar, com mais dedicação, nos contos do sem-fim. E, despreocupado que sou, nunca fiz um backup das coisas escritas. Até que o notebook foi furtado e eu, imerso num azedume interminável, optei por deixar para lá. Dane-se o mundo – como se esse mundão de Deus soubesse lá quem era o tal do Jotacê Menezes para, então, sentir falta dele. E não sentiu.

Para não dar a impressão de estrelismo neste escriba anônimo, é necessário informar que, sim, eu tentei voltar algumas vezes nesses treze meses. Mas, como disse, a amargura da perda de tantos textos sempre pesava – e, nunca, aquele novo esboço de um novo conto era bom o suficiente como eu julgava ser aquele que, pluft, se perdeu nas bibocas de Aracaju City.

Outro dia, arrumando o quarto de hóspedes, tive a grata surpresa de encontrar, perdido dentro de uma caixa esquecida no fundo do guarda-roupas, uma pasta com alguns daqueles contos impressos, em suas versões iniciais ou intermediárias – mas que foi de grande alento para mim poder me reencontrar naqueles escritos... E verdade seja dita: alguns textos eram verdadeiramente bons mesmo – por mais presunçoso que isso pareça. Outros, sem falsa modéstia, eram titica de galinha, mas que se supervalorizaram na perda – mais ou menos como fazemos com aquele defunto que não prestava muito, mas que tecemos só elogios no velório do cara.

E então, meio curado desta longa ressaca que vivi nos últimos treze meses, achei por bem rever minhas pretensões – pessoais e literárias. E algumas decisões foram (re)tomadas. O blogue é uma delas. Não há mais os leitores e deletadores de antes (ei, voltem!), nem acho que o tanto de visitas que o blogue já teve um dia (26.408 ao todo, segundo o próprio Blogger – e 4.090 somente no mês de setembro de 2010) será retomado – mas, confesso, nunca tive o desejo de ver essa casa superlotada. E é no aconchego dos pequenos espaços que conseguimos recomeçar.


Recomecemos, pois.

domingo, 21 de abril de 2013

..:: Chegadas & Partidas ::..

"(...) E assim, chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida (...)"
('Chegadas & Partidas, Fernando Brandt e Milton Nascimento)


Chegadas e partidas. Assim tem sido este blogue, um eterno ir-e-vir deste autor. Se parece desleixo aos olhos rápidos de alguns deletadores, pode ser, também, simplesmente o exato reflexo da vida do próprio autor, se olhado o fenômeno com certa cautela por seus leitores.

Entre silêncios improdutivos e tecladas silenciosas, este espaço já dura quatro anos. Em 2009, quando ele foi inaugurado com uma postagem agora repousada na caixa de rascunhos do Blogger, este autor era outro - nem mesmo "autor" ele tinha a ousadia de se intitular. E, quatro anos depois, ainda não se sente completamente à vontade com esta alcunha.

O "Príncipe Ogro" nasceu das entranhas deste Jc, numa tentativa não muito clara de ser claro com seus próprios sentimentos. Já os escritos e rabiscos do Jc Menezes nasceram antes, quando ele assinava um simples "Júlio César" e, depois, um enigmático "JCCSPM", assim mesmo, numa indecifrável sopa de letras em maiúscula. As primeiras frases vieram em dedicação à Cláudia, minha eterna professora de Língua Portuguesa - os antigos já conhecem esta história e os eventuais novatos que chegarem até aqui tropeçarão nela algumas vezes. Depois da Clúadia, vieram outros amores que, não-correspondidos, ganharam mais textos deste escriba, seja em forma de contos, esboços de romances, crônicas ou simples relatos cotidianos anotados em diários.

Trazer a público, mesmo que pequeno, tudo o que estava guardado (e, por vezes, escondido de mim mesmo) foi um desafio. De início, uma troca de e-mails com poucos amigos, numa espécie de consultório sentimental. De repente, sem que eu percebesse, outros, não tão amigos assim, estavam a par do que se passava com este Jc. E, no final das contas, depois até de um e-mail da Martha Medeiros (sim, ela mesmo, a autora de best-sellers como "Divã" e "Doidas e Santas", entre outros), o blogue nasceu.

Sendo a imagem refletida de seu autor, o “Príncipe Ogro” acabou passeando por esferas além daquelas que dividia por e-mail com meus leitores e deletadores. Não foram poucas as referências aos meus escritores prediletos, em forma de simples compartilhamento de frases e trechos sabiamente escritos por eles. Músicas inspiradoras também foram postadas. E, entre textos desinteressantes sobre futebol, havia algumas crônicas de autoria deste Jc, versando sobre política, sonhos, amor, desamor, poesia, Ana. É, havia também muita Ana.

Mas vieram os silêncios. As pausas. Os hiatos. Cada qual com sua explicação, com sua justificativa. Mas nenhuma delas tirava, de fato, o pó de cima das letras que compunham o blogue. Pior, nenhuma delas evitou que viessem mais hiatos, mais pausas, mais silêncios.

Os textos escassearam. Alguns poucos leitores se queixaram. Os deletadores, ainda que não tenham se pronunciado, festejaram, com certeza. Alguns retornos foram anunciados para logo depois serem também esquecidos. Com a longevidade do último silêncio, os leitores deixaram o blogue. Os deletadores já nem se lembravam mais dele, sem dúvida.

O blogue estava fadado, pois, ao esquecimento, mesmo que o Jc Menezes aqui tenha mantido, de alguma forma, vivo o gosto pela escrita – sim, apesar da ausência, a produção literária manteve-se ativa. Algumas crônicas surgiram deste silêncio. Alguns contos foram produzidos nesta pausa. Alguns textos, que não cabem na definição de um gênero literário existente, nasceram deste hiato.

E, então, eis que retorno. À francesa, silenciosamente, da mesma forma que fui. Sem alarde. Sem promessas. Sem planos. Volto, porque este é o lugar do Príncipe Ogro. Volto, porque esta é a casa do Jc Menezes. É aqui, neste blogue, que vejo refletida a minha imagem – mais nítida do que quando me olho no espelho, porque aqui, posso me ver por dentro e por fora, com todos os defeitos, qualidades, cismas. E silêncios.

Porque não há vida sem silêncio.

Literariamente,
Jc Menezes.

domingo, 12 de agosto de 2012

..:: 8 minutos ::..


A festa que o Brasil preparou para inglês ver na cerimônia de encerramento das Olimpíadas de 2012, e que durará 8 minutos, custou nada mais nada menos que vinte milhões de reais (http://migre.me/afReh). Isso mesmo: vinte milhões de reais. D
ois milhões e meio por minuto. Tudo isso bancado pelo município e estado do Rio de Janeiro, a União, e trouxas como eu e você que pagamos impostos. Para a realização, em si, das Olimpíadas em 2016, fala-se em superar a casa dos 50 bilhões de reais (http://migre.me/afRge)


Será que não haveria melhor destino para essa gastança de dinheiro seu, meu, nosso? Os defensores das Olimpíadas no Brasil se apegam ao argumento de que ela trará benefícios ao Rio e ao país, mas então, pergunto eu: INVESTIR NA SAÚDE E NA EDUCAÇÃO NÃO TRARIAM BENEFÍCIOS AO BRASIL?


Me soa incoerente demais, um governo que reprova a própria oferta de serviços em saúde (http://migre.me/afRlj) e que está avaliado pela UNESCO em 88º lugar no Índice de Desenvolvimento da Educação, atrás de Bolívias e Equadores (http://migre.me/afRiS), gastar 20 milhões de reais por uma festa que terá duração de “longos” 8 minutos.



Num país que tem o 3º pior índice de desigualdade no mundo (http://migre.me/afRkB), me parece absurdo despender mais de 50 bilhões de reais para um evento esportivo, mesmo sendo ele as Olimpíadas.



Com os 8 minutos de papagaiada em Londres, dez escolas públicas poderiam ser construídas (http://migre.me/afRNq) e um sem-fim delas poderiam ser restauradas. Com os mesmos 8 minutos de samba na terra da Rainha, daria para levantar um hospital inteiro (http://migre.me/afRVQ) e ainda sobraria troco para fazerem o que bem entendessem com ele – se é que vocês me entendem.



Com os 50 bilhões de amanhã, 25 mil escolas e 3 mil hospitais seriam construídos. Mais de 800 mil casas populares poderiam ser erguidas (http://migre.me/afShA). É ou não é um absurdo essa farra que fazem com o nosso dinheiro?



Acorda, Brasil!

Olimpicamente,
Jc Menezes

..:: Sobre orgulho e exemplo ::..


Me orgulho muito de carregar o "Menezes" comigo. Não à toa adotei-o na assinatura do meu alter-ego literário (e os íntimos sabem que sobrenome é o que não me falta no RG). Herança de meu pai, Francisco Menezes, que ganhou o sobrenome de seu pai, Sargento Menezes, que, por sua vez, trazia consigo o sobrenome de seu pai, Júlio César, o bisavô.

Essa é só uma das heranças recebidas do meu pai. Dele também herdei um riso inconfundível, uma suave melancolia no olhar e o gosto pela escrita, no qual sou apenas um aprendiz.

Ainda bem que ainda tenho muito tempo pela frente para aprender com meu pai as qualidades necessárias para ser uma pessoa melhor. Solidário com todos e pacifista como poucos, "Tio" Chico é exemplo para mim. E, com ele, preciso aprender a amar mais, a me doar mais, a compreender mais, a perdoar mais, a acolher mais - mesmo que a acolhida não venha quando eu precisar.

Bom que ainda há tempo para aprender com ele. Bom que a vida nos deu uma segunda chance de ser pai e filho. Bom que estamos tendo a chance de reconstruir laços desfeitos, refazer caminhos perdidos nos atalhos da vida, reescrever histórias, e, principalmente, a nossa história. Bom ser filho de Francisco. Bom ser Menezes. 

E quando a quinta geração dos Menezes chegar por aqui, que eu possa ser também exemplo e mestre para ele, como meu pai é para mim.

Feliz dia dos pais, Francisco.

Com amor,
JC MENEZES, seu primogênito.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

..:: Sobre glória e idolatria ::..


Loco Abreu é ídolo. Simples assim.

Por mais que alguns torçam o nariz para o gringo, sim, ele é ídolo da torcida botafoguense. O gesto, no último jogo de seu atual clube, demonstra claramente isso. Aos que (ainda) não sabem, o Loco, no final do 
jogo do Figueira contra o Flamengo, ao ser provocado pela torcida rubro-negra, mostrou sua famosa blusa azul por baixo do uniforme e beijou o escudo alvinegro, fazendo, ainda, referência ao antológico gol de cavadinha feito no prisioneiro, ops, goleiro Bruno. Craque ele não é, mas quem disse que precisa ser craque de bola para ser ídolo, não é, Túlio? Para ser ídolo, o cara tem que ter identificação com aquele clube, com aquela torcida. E isso o gringo tem de sobra conosco.

Loco Abreu chegou ao Botafogo em 2010, quando estávamos pra lá de machucados com a perda consecutiva de três estaduais para o nosso rival mais detestável. Teve uma estreia para esquecer, definitivamente. Aos poucos, porém, foi se integrando ao clube, à torcida, ao time. Gols decisivos vieram. Assim como o gol mais importante da história recente do Botafogo. Aquela cavadinha foi muito mais do que o gol do título sobre o arqui-rival. Foi o resgate do orgulho de ser alvinegro – e isso, meus caros, poucos são capazes de fazer. Na Celeste Olímpica, Abreu, alvinegramente, levou este orgulho a milhões de cidadãos mundo afora, através da bandeira preta-e-branca que carregava consigo.

Depois, apesar do Joel, Loco seguiu sendo referência para os gols botafoguenses. E seguiu assim, no ano seguinte, também apesar do Caio Júnior. Em 2012, um mau início de temporada, com uma penca de pênaltis perdidos, colocou-o em descrédito com parte da torcida. Seu Oswaldo, uma trágica mistura do que tinham de pior os últimos dois treinadores (a retranca do Joel e as invencionices do Caio), então decidiu que o Loco não servia mais para o Botafogo e dispensou o gringo, trazendo para o seu lugar o “fantástico” Rafael Marques – com sua inacreditável média de 0,32 gols por jogo no último clube que defendeu.

Lodeiro, promessa uruguaia que jogava no Ajax, da Europa, veio para o Botafogo após incentivos do Loco. Seu Oswaldo trouxe, além do “fantástico” Rafael Marques, o “virtuoso” Fellype Gabriel e o “espetacular” Vitor Júnior, todos escondidos nos cafundós do samurai.

Pois de nada adiantou, Seu Oswaldo. Como bem sinalizou o Perrone em seu blog, “fato é que longe, sem entrar em campo, Abreu segue sendo o melhor jogador do Botafogo.”

Loco Abreu é ídolo. E ponto final.


domingo, 5 de agosto de 2012

..:: Sobre Lutos e Poesias ::..

"A morte é a curva da estrada,
Morrer é só não ser visto."

- Fernando Pessoa -



E a alegria pela reabertura do blogue contrasta com uma notícia recebida ontem, vinda de uma pessoa querida, anunciando a morte de seu pai em três breves palavras. E mesmo sabendo que nem uma enciclopédia inteira é capaz de nos trazer conforto neste momento, deixo aqui apenas as belas palavras do Poeta, na tola tentativa de amenizar a dor que assola os corações dos Vegetti.

Enlutadamente,
Jc Menezes.

..:: Sobre postagens e republicações ::..

Quem é de casa já percebeu algumas mudanças por aqui.

Primeiro, o domínio, agora próprio. Depois, o "menu" - que será alterado assim que concluir dois projetos. Por fim, e esteticamente, há esse banner em flash aí no topo. Na verdade, a mudança era pra ser maior, mas não tive sorte com os web designers que procurei. E, meus caros, não foram poucos os profissionais consultados. Apenas um me respondeu a contento - e, como 'contento' entendam uma negativa cordata. Os outros zé manés profissionais sequer me responderam. Aí, me restou o autodidatismo. E nem sempre esse papo de aprender sozinho dá certo (em alguns testes aqui o menu não funcionou, enquanto o banner - que era pra ter outra função para além do estético - sumiu algumas vezes. Maldito "Erro 303"!).


No mais, sim, o blogue foi "zerado". Não, eu não deletei os textos anteriores. Mas depois de tanto tempo longe daqui, e com a reestruturação do blogue, achei que essa reabertura deveria vir assim, "zerada". Aos poucos, as postagens antigas serão "repostadas". Frases do Caio, poesias (e saudades) da Ana, emails trocados, as tantas linhas sobre "Closer", crônicas fajutas rabiscadas. Todas elas estarão de volta aqui, misturadas com novos textos rascunhados, novas odes à "Closer", outros emails recebidos e enviados, novas saudades (e poesias) de Ana e mais frases de Caio.


Para ser mais honesto com quem já é de casa - e eventuais novos "Leitores & Deletadores" - as postagens antigas, quando republicadas, virão acompanhadas do ícone abaixo:




Não haverá lá muita lógica para estas republicações. A volta deste passado dependerá, na verdade, do meu presente - que está sempre recheado de Ana, Caio, "Closer" e tantos outros assuntos aqui já abordados e arquivados.


Explicações feitas, fiquemos por aqui. Até a próxima postagem - antiga ou não.


Domingueiramente,
Jc Menezes.


sábado, 4 de agosto de 2012

"...Eu voltei / Agora pra ficar / Porque aqui / Aqui é o meu lugar..."



E depois de 241 textos, 23.313 visitas e exatos 436 dias, eis que o PRÍNCIPE OGRO desperta de seu maior período de hibernação, desde que foi inaugurado, nos remotos idos de 2009. Aos Leitores e Deletadores deste blogue, minhas sinceras desculpas pelo silêncio forçado desde o último texto publicado aqui, num longínquo 26 de maio de 2011. As atribulações da vida real deste reles escriba comprometeram severamente a vida virtual e aí a crosta de poeira se fez por aqui.

Contudo, estou de volta, renovado, repaginado, reestruturado. E como vocês podem perceber, o blogue também apresenta mudanças. Ainda faltam alguns detalhes para que ele fique do jeito que espero, mas a ansiedade por estar de volta aqui foi maior. Portanto, no melhor estilo “desculpem o transtorno, estamos trabalhando para melhor servi-lo”, o blogue ressurge. Assim como eu.

Renascidamente,
Jc Menezes.
>> E tem música-tema melhor para este retorno do que "O Portão", cujos versos dão título ao post? <<